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A Terapia Ocupacional em Gerontologia


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Publicado em: 09/07/2015

 

Autora: Profa. Dra. MARCIA PONTES MENDONÇA

Membro da Comissão Regional de Especialidades da Terapia Ocupacional do Crefito-10

 

No contexto da saúde, a Terapia Ocupacional destaca-se, na atenção ao idoso, por oferecer um campo de tratamento voltado às questões da sua vida diária, do seu cotidiano e de suas necessidades biopsicossociais.

É competência da Terapia Ocupacional criar, estimular e desenvolver condição que favoreçam o desencadeamento do processo terapêutico. Na Terapia Ocupacional este processo dá-se, essencialmente, pela inter-relação do paciente com o terapeuta, a atividade e grupo, sendo que, nessa dinâmica, a pessoa do terapeuta assume papel fundamental como um dos elementos facilitadores e integradores do processo.

A Terapia Ocupacional utiliza as atividades como elemento centralizador e orientador na construção do processo terapêutico. Elas são avaliadas no contexto de cada caso e com o objetivo de promover o desenvolvimento, tratamento e reabilitação de indivíduos ou grupos que necessitem de cuidados físicos, sensoriais, psicológicos e sociais de modo a ampliar seu desempenho e participação social.

Em Gerontologia o Terapeuta Ocupacional participa de programas de prevenção de doenças e manutenção da saúde, preparando o idoso para os eventos inerentes ao seu envelhecimento (aposentadoria, menopausa, perdas)  incentivando seu convívio social, familiar e sua autonomia.

                Na atuação com o idoso, o Terapeuta Ocupacional age como um facilitador que capacita o mesmo a fazer o melhor uso possível das capacidades remanescentes, a tomar suas próprias decisões e lhe assegurar uma conscientização de alternativas realísticas.

                A atividade proporciona uma vivência com significado existencial através da auto-responsabilidade, do compromisso, de expressão de valores e de sistematicidade, podendo envolver ainda convívio social pautado por bem-estar.

                No processo terapêutico a Terapia Ocupacional utiliza instrumentos de avaliação funcional, das estruturas mentais, emocionais e sociais, e avalia principalmente o desempenho das Atividades da Vida Diária, pois são os principais indicadores da autonomia do idoso.

                A avaliação do idoso em terapia ocupacional é determinada pela estimativa de sua força e debilidade. Para tanto se analisa o que o paciente fazia antes de sua enfermidade e seu estado atual e o impedimento entre ambos. Avalia-se também o estado biológico (força, tônus muscular, amplitude articular), o estado psicológico ( memória, estado de ânimo, capacidade de aprendizagem, etc.), o estado social (incluindo a capacidade dos que o ajudam: familiares, amigos, voluntários) e o ambiente físico (barreiras arquitetônicas) na perspectiva de segurança do idoso no seu lar. Todos estes fatores são analisados e adaptados para obter-se o máximo aproveitamento das condições, tendo-se em conta as limitações funcionais do paciente.

                A capacidade física dos idosos pode estar limitada por alguns fatores fisiológicos: diminuição da potência muscular, fragilidade óssea, artrites e perda da elasticidade do tecido conjuntivo.

                Os fatores que afetam o sistema nervoso central são os que, com maior frequência, produzem incapacidades no transcurso dos anos. Variações das atividades mentais como a diminuição de atenção, perda progressiva de memória e instabilidade emocional, adicionadas às alterações da atividade neurológica como diminuição dos reflexos e dificuldade em realizar movimentos, além das alterações sensoriais decorrentes do processo do envelhecimento.

                Geralmente os idosos mostram-se ansiosos em relação ao futuro principalmente relacionado às questões de segurança, saúde e relações familiares; além disso, cansam-se mais facilmente à medida que a idade aumenta, o aprendizado é mais lento e a retenção das informações recebidas não é a mesma que na juventude, portanto em terapia ocupacional os cuidados devem ser direcionados para estas características peculiares. Para tanto se faz necessário um tempo maior para realização das tarefas; evitando sempre que possível a tensão e a exaustão;  incentivando o idoso para que se sinta estimulado, relacionando suas atividades a interesses vitais e a longo prazo; além disso as atividades devem possuir um significado concreto, aplicável ao cotidiano.

Objetivos gerais da Terapia Ocupacional em Gerontologia:

                1. Integrar a pessoa em idade avançada à sua própria comunidade, tornando-a o mais independente possível.

                2. Incentivar, encorajar e estimular o idoso a continuar fazendo planos, ter ambições e aspirações.

                3. Manter o idoso na comunidade, em contato com pessoas de todas as idades, promovendo relações interpessoais.

                4. Contribuir para o ajustamento psicoemocional do idoso e sua expressão social.

                5. Manter o nível de atividade, alterando o ambiente se necessário.

                6. Enfatizar os aspectos preventivos do envelhecimento prematuro e de promoção de saúde.

                7. Reabilitação do idoso com incapacidade física e/ou mental.

                Tais objetivos estão na dependência do estado de saúde do indivíduo, do seu grau de independência nas atividades da vida diária (AVD) e do seu grau de interesse e participação.

 O uso da atividade em Terapia Ocupacional:

                O terapeuta ocupacional dispõe de uma gama de atividades à sua escolha. De acordo com o objetivo pretendido, considerando estilo de vida do indivíduo, grau de participação nas atividades (ativa e passiva), grau de autonomia e independência e preferência por determinados tipos de atividades que poderão ser empregadas individualmente ou em grupo. Abaixo são citados alguns grupos de atividades mais utilizadas com idosos e seus principais objetivos:

                1.  Atividades de vida diária: Comer, vestir, higiene pessoal, locomoção e comunicação.  Estas atividades são consideradas prioritárias e são indicadores do grau de autonomia do idoso.

                2.  Atividades de vida prática: Fazer compras, telefonar, cozinhar, ir ao banco, tomar conta da casa etc. Estas atividades permitem que o idoso mantenha um grau de satisfatório de independência e autonomia em casa e na comunidade.

                3. Atividades sociais: Passeios, visitas, comemorações de festas, entre outras. Este tipo de atividade permite manter o interesse pela vida, sentir o prazer pela companhia de outras pessoas além de proporcionar oportunidades diversas.

                4. Atividades físicas: Exercícios físicos, caminhadas, dança, entre outras. Essas atividades promovem a manutenção das funções corporais como medida preventiva, bem como a melhora das funções musculares e articulares, circulação sanguínea, coordenação motora, sobretudo prevenção da obesidade e sedentarismo que pode trazer como consequência o desencadeamento de processos degenerativos.

                5. Atividades culturais: De acordo com o nível cultural e potencial intelectual do indivíduo poderão ser empregadas atividades literárias para crítica e revisão de livros, discussão de assuntos atuais, audições musicais, peças teatrais, que valorizam a cultura e a criatividade.

                6. Atividades artesanais: Pintura, cerâmica, trabalho em couro, tecelagem, trançagem, tricô, crochê, mosaico, entre outras.  Essas atividades desenvolvem a criatividade, mantêm habilidades motoras, promovem a autoestima, entre outras funções.

                7. Atividades ocupacionais: Limpeza, jardinagem, cuidado de animais, atividades profissionais diversas, que contribuem principalmente para a valorização do idoso como indivíduo útil e necessário.

                8. Atividades recreativas e lazer: Danças, jogos de salão, dominó, baralho, entre outras.  Promovem um meio próprio à integração dos sexos e das idades, ao desenvolvimento do ser humano enquanto ser criativo ao resgate da espontaneidade daquilo que se conhece por alegria de viver.

                Através do estímulo ao autoconhecimento, o idoso tem a possibilidade de criar condições para lidar com seus potenciais e a partir daí construir uma maneira própria de se relacionar com o meio social, atuando ativamente. Basicamente, o terapeuta ocupacional auxilia o idoso a ter um desempenho o mais independente possível, enfatizando as áreas de autocuidado, do trabalho (remunerado ou não), do lazer, da manutenção de seus direitos e papéis sociais, de maneira a melhorar sua qualidade de vida e prazer nessa fase tão importante e complexa da vida.

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